Quem vive de poesia não tem sobre o que poetizar!

03 outubro 2011

Esporro

Fui enganado por anos
Pelos que mentem a verdade
Não sei onde estamos
Ilusão ou realidade?

Cansei de pedir socorro
Àquele que não sabe nada
Sua vida é apenas um borro
Vou levantar minha espada

Tendo fé em mim
Sem perder meu tempo
A vida é assim
Não sou folha no vento

Não vou me deixar levar
Por um falso profeta
Quero sentir o cheiro do ar
E da alienação fazer uma dieta.

30 setembro 2011

O Sabiá

Já não queria cantar
Todo momento só imitava
Vitórias não alcançava
Deturpava o poder do patar

Suas asas não batiam
De longe avistava o céu
Sem ao menos sentir
O doce cheiro de mel

Cego diante ao florir
Da mais bela margarida
Iludiu-se com os anseios da vida

Canta sabiá, canta
Teu canto é belo
Desfaça esse elo
Que para a vida não adiante

Ser igual no presente
É comum, mas não normal
Com o fogo astral
Apague todo esse mal
Do lado obscuro de tua mente.

28 setembro 2011

Chapéu-de-palha

Uma vez encontrei um homem
Que o mar não conhecia
E no lugar onde todos somem
Ele sempre aparecia
O homem, sobre o mar nada sabia
Mas por mim já estendeu o dia
Usava sempre um chapéu-de-palha
Dizendo: "O pantaneiro, para vida, não se atrapalha"
Certo dia, o homem distante do mar,
Sua casa teve que abandonar
Andando mundo afora
Sem saber se volta outrora
Para trás ficaram as rosas do conhecimento
Doces, maravilhosas e leves como vento
Para trás, seu pequeno filho ficou
Que hoje, para ele, esta poesia recitou.

Diálogo

Minha depressão fala
A mim um dia disse:
Cala-se poeta, a bala
Que descreve vive na mesmice.
Seu vocabulário é como receita
De bolo recheado que não cresce.
Sua rima é imperfeita
Não se encaixa nem numa prece.
Eu respondo assustado:
Desculpe-me depressão
Se te deixarei de lado,
Mas aqui tu não tens opinião.
Sou o único ser alado
Que neste corpo move a mão.
Se meus versos não lhe agradam
Nada posso fazer,
Pois, ainda não sou reflexo
Da beleza do meu ser.

Amigos

O que faz de meus amigos
Pessoas tão especiais?
Seriam os momentos que
Juntos eternizamos?

São os tempos que gostei
As preocupações efêmeras
Até brigas, concluídas
Com abraços intermináveis

Hoje olhando a estrada
Que se faz vazia para alguns
Sorrio profundamente, lembrando
Que ao fim dela está um amigo.

26 julho 2010

A Mãe

Serpente querida
Tu que és de todos
Cure minha ferida
Pois sou um dos poucos

Dos que te conhecem
Alguns erram
Colendos são os que merecem
Alguns pecam
Felizes enquanto descem

Eu que te conhecera
Sem muita demagogia
Jamais me perdera
Em sua ígnea magia

E dos egos que derrubam-me
Nenhum irá sobrar
Já que de seu poder
Eu sei utilizar

20 julho 2010

Ferraduras e Cinismo

O caminho que me aponta
Nunca está errado,
Vou por minha conta,
Embora atrasado.

Deste-me sapatos
Que ensinam caminhar,
Minhas pernas se ajeitam,
Jamais torno a errar.
 
Quatro caminhos se estendem,
Apenas um devo escolher.
Deles, três escurecem,
É neste último que vou viver.

No caminho da consciência
Devo-lhe gratidão,
Por toda sua experiência,
Oh Capitão, Meu Capitão.

19 julho 2010

Luiza e a Noite

Luiza minha linda,
Esperas-me ainda?
Em cima do altar,
Sempre a me olhar.

Sim, Pedro Amado
És único, meu único aliado
Estarei neste altar
Sempre a te esperar

Mesmo que não te alcance
Comigo quero que dance
A bela dança das estrelas
Tão bela quanto fazê-las

Dançarei por toda noite
Contigo, encantada hei de estar
Dançaremos lindamente
Sob a luz do Luar

Suas palavras minha mente guardou.
Na noite triste que se fazia,
Em sua boca a minha encostou.
Acompanhando-me na magia
Feliz agora estou.

Óh, como és lisonjeador
Se te acompanho na magia
Tu me acompanhas por onde for
Pois, contigo, ao meu lado,
Segurando o cajado
Não haverá dor
Apenas o amor

09 junho 2010

Coisas Que Aprendi

Que viver é um presente da natureza
Presente que se recebe inúmeras vezes
Presente efêmero, logo não necessitamos
Que nos serve apenas como lição

Que amor é fruto da vida, assim como manga
Da semente terá outra vida
Da vida outro amor, completo como todos
Individual como nenhum

Que vivo nas leis dos homens
Sendo que as da natureza me bastam
Homens tolos se cansam ao pensar
Enquanto a mãe me acalma em seu altar

Que tu estas em tudo e todos
No homem que mata e rouba
Na arma que queima e derruba
Na criança que ajuda o inimigo, com dó

Que isto pode estar errado
Nada sei, nada soube, nada saberei
Eu não ajo em mim, ajo em tu
E para ti declaro que nada aprendi

02 junho 2010

A Primeira Poesia de Um Jovem Inocente

No breu claro do meu aconchego dessa selva urbana
Inicio o som da maneira que aprendi
Nada se vê, nada se sente, apenas se ouve
Continuo perene

Quero me encontrar, tirar minhas próprias dúvidas
Inicio o Calor com o barulho da meditação
Agora sinto, ouço, mas nada que se veja
A meditação me mata

Morro, mas sorrio, quero morrer, nascer
Inicio a luz em clemência divina a tu
Vejo, sinto e ouço, todos perguntam
Como ganhaste vida?

Me encontro, me questiono, me guio
Inicio o caminho eliminando os irmãos
Honestos que detêm tudo que quero

Disputo acordado, entre a luz clara e a escuridão
Vejo o valor da vida que me levou um irmão.